Economia
31/03/2025
A chamada demissão silenciosa, ou “quiet quitting”, tem impactado o mercado de trabalho global, refletindo na produtividade e na economia. De acordo com a pesquisa “State of the Global Workplace 2024”, da Gallup, 62% dos funcionários não estão engajados e cumprem apenas o mínimo necessário em suas funções. Esse comportamento já gera um impacto de 8,9 trilhões de dólares, representando 9% do PIB global.
Para Gabriella Saldanha, especialista em Recursos Humanos e gestora acadêmica da Estácio, a sobrecarga de trabalho e a exigência de horas extras estão entre as principais razões desse cenário, agravado após a pandemia. “Com retração em algumas áreas, alguns colaboradores precisaram realizar horas extras e lidar com sobrecarga de trabalho, assumindo atividades anteriormente desempenhadas por outros colegas, uma vez que alguns postos de trabalho foram eliminados e/ou modificados”, explica.
A especialista destaca que um ambiente de trabalho mais humanizado pode ajudar a evitar a perda de profissionais qualificados. “O líder precisa estabelecer vínculos com seu time, cultivar o equilíbrio entre trabalho e lazer, ser confiável e inspirador, ser exemplo, celebrar todas as vitórias, mesmo que pequenas. E, principalmente, desenvolver o talento dessas pessoas, e quem sabe novos líderes”, afirma.
Outro fator essencial para reverter a demissão silenciosa é a prática contínua de feedback baseado em dados e indicadores de desempenho. “Essa prática não deve se basear somente em percepções pessoais, mas em dados e indicadores de desempenho. Entretanto, ainda existem organizações que não oferecem feedback regularmente, resultando em descontentamento e evasão de talentos”, alerta Gabriella.
Para identificar sinais precoces de “quiet quitting”, é fundamental observar mudanças de comportamento entre os colaboradores. Gabriella sugere atenção a fatores como queda na produtividade, distanciamento da equipe e falta de interesse por novos desafios. “A apatia e a influência negativa sobre outros colaboradores são alertas importantes. Por isso, o ideal é que as empresas promovam pesquisas de clima organizacional e, mais do que isso, implementem planos de ação baseados nos resultados obtidos”, recomenda.
Além disso, a especialista reforça a importância de benefícios além da remuneração para melhorar o engajamento e reduzir o fenômeno. “As empresas podem instituir benefícios, como plano de saúde, plano odontológico, seguro de vida, vale-transporte, vale-alimentação e participação nos lucros, para reduzir preocupações externas que impactam a produtividade dos colaboradores”, conclui.
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